sábado, 10 de abril de 2010

Mais açúcar, mais afeto



Até mesmo o café parecia mais amargo quando ela mais precisava pensar. Se houvesse mais açúcar e mais afeto, amargariam menos os seus pensamentos, e talvez ela mesma se tornasse mais doce do que costumava ser. Doce demais estraga? Ela achava que sim, mas veja bem, não precisava adoçar tanto. Bastava que conseguisse engolir mais fácil, aceitar mais fácil, resolver mais fácil.Bastava ser mais fácil.Estar sozinha às vezes é uma dádiva, quando se quer organizar melhor as coisas dentro de si.Porque há coisas que bagunçam, coisas que invadem, que desalinham e que nos obrigam a procurar uma parte tranquila de nós mesmos, onde seja possível desabar em paz.Porque às vezes, é inevitável que se desabe.E ela poderia sentar em um canto, com as pernas cruzadas, e apenas deixar que o tempo cuidasse de tudo. Dizem que ele sempre sabe o que fazer. Mas é tão estranho ser cuidada, quando se sente tão intimamente essa responsabilidade de cuidar. Então até mesmo o café é mais amargo, porque até mesmo ela (inevitavelmente) se obriga a ser menos doce.Ser cuidadosa amarga. Desabar amarga.Mas veja bem, não precisava adoçar tanto. Bastava que conseguisse engolir mais fácil, aceitar mais fácil, resolver mais fácil.Bastava ser mais fácil, e fim.


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